Foz do Iguaçu: um destino que transforma energia, turismo e inovação em futuro

Por Paulo Angeli*

Há cidades que são reconhecidas por um grande atrativo. Outras, por sua capacidade econômica, localização estratégica ou vocação para receber pessoas. Foz do Iguaçu reúne tudo isso e ainda carrega uma característica rara: é um território onde natureza, energia, turismo, conhecimento e inovação convivem em uma escala difícil de encontrar em outro destino brasileiro.

Em 2025, dez dos principais atrativos turísticos de Foz do Iguaçu somaram quase 6 milhões de visitas. Somente o Parque Nacional do Iguaçu recebeu 2.020.359 visitantes, o melhor resultado desde 2019.

Os números confirmam uma percepção que nós, que vivemos o turismo de Foz e temos há muito tempo. Não estamos falando apenas de uma cidade turística. Estamos diante de um território internacional, conectado e com condições de se tornar um dos grandes laboratórios de inovação turística da América Latina. Os dados que temos hoje já demonstram a dimensão alcançada pelo destino.

Foz do Iguaçu tem nas águas uma de suas maiores forças. De um lado, as Cataratas do Iguaçu transformaram a paisagem natural em um dos grandes símbolos turísticos do Brasil. De outro, as águas do Rio Paraná alimentam uma das maiores obras de engenharia do planeta: Itaipu Binacional.

Portanto, quando falamos de sustentabilidade em Foz do Iguaçu, não estamos começando uma conversa nova. Energia renovável, conservação ambiental, turismo de natureza e desenvolvimento fazem parte da própria história do território.

Acredito que o grande desafio agora é utilizar esse patrimônio para construir uma nova narrativa de destino. Foz pode se posicionar internacionalmente não apenas pelas Cataratas ou pela Itaipu, mas como um território onde turismo, sustentabilidade, energia renovável, tecnologia e inovação são capazes de funcionar de maneira integrada.

Mais turistas, mas com mais inteligência

Durante décadas, o turismo aprendeu a comemorar números: visitantes, passageiros, ocupação hoteleira, permanência e movimentação econômica. Eles continuam sendo fundamentais. Contudo, os destinos mais competitivos precisam começar a fazer outras perguntas.

Quem são essas pessoas? Como circulam? O que procuram? Quanto tempo permanecem? Quais experiências combinam? Em quais períodos existe maior concentração? Como distribuir melhor os visitantes pelo território? Como utilizar dados para antecipar demandas?

Foz já possui escala para avançar nessa direção. Dos mais de 2 milhões de visitantes em 2025 no Parque Nacional do Iguaçu, aproximadamente 45% eram estrangeiros, representando mais de 200 nacionalidades. Essa diversidade transforma o destino em um ambiente excepcional para compreender comportamentos, testar tecnologias, desenvolver produtos e criar experiências personalizadas.

É aqui que inteligência artificial, big data, plataformas digitais e inteligência turística deixam de ser tendências e começam a fazer sentido. Tecnologia no turismo não deveria ser medida pela quantidade de aplicativos disponíveis. Deveria ser medida pela quantidade de problemas que conseguimos resolver.

Dentro deste contexto surge a inovação, que se constrói com pessoas. Quem acompanhou o desenvolvimento do turismo local nas últimas décadas sabe que muitas conquistas aconteceram porque poder público, iniciativa privada, universidades, entidades, atrativos e profissionais aprenderam a conversar.

É nesse ambiente que iniciativas como o Hackatour Cataratas ganham importância. Realizado pelo IDESTUR em parceria com instituições do ecossistema local, essa jornada de inovação coloca estudantes, profissionais do turismo, programadores, empreendedores, designers, startups e especialistas diante de desafios reais do setor.

O que me interessa no Hackatour nunca foi somente o que acontece durante algumas horas de maratona. O mais importante é o que ele representa. É colocar um problema real sobre a mesa e permitir que pessoas com conhecimentos diferentes pensem juntas. É aproximar o estudante do empresário, a universidade do mercado, a tecnologia do turismo e a criatividade de problemas que precisam de soluções.

Inovação raramente nasce isolada. Ela nasce do encontro.

*Paulo Angeli é CEO e idealizador do Festival Internacional de Turismo das Cataratas (FITCataratas)

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